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A torção dos sentidos

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A torção dos sentidos:
pandemia e remediação digital
Autor: João Pedro Cachopo
Edição: Tadeu Breda
Assistência de edição: Luiza Brandino
Preparação: Fabiana Medina
Revisão: Helena Roldão
Capa: Catarina Bessel
Projeto gráfico: Bianca Oliveira
Diagramação: Denise Matsumoto
Lançamento: agosto de 2021
Páginas: 148
Dimensões: 13,5 x 21 cm
ISBN: 9786587235394

SKU: 978-65-87235-39-4 Categorias: , , ,

Descrição

O livro de João Pedro Cachopo, A torção dos sentidos, situa-se de modo original neste panorama. Não foi escrito imediatamente no começo da pandemia, e sim depois de alguns meses, tomando dela já uma pequena distância no tempo. Mas esta, a breve distância cronológica, não é a que dá ao livro a sua originalidade. Decisivo é o ângulo do seu pensamento, que confere à sua prosa um misto de serenidade e firmeza. Por isso, a provocação de sua abertura, segundo a qual “a pandemia não é o acontecimento”, deve ser levada a sério, e o separa das tantas outras abordagens que, aderidas à pandemia, supõem que é ela, em si e por si, o acontecimento, embora a interpretem através de conceitos que já existiam muito antes dela. Para Cachopo, o acontecimento é a torção dos sentidos, ou seja, a transformação – que, mais do que promovida pela pandemia, pode ter sido por ela intensificada e acelerada – em nossos modos de percepção e de imaginação, de reconhecermos o que é proximidade e o que é distância, presença e ausência, espaço e tempo. Os sentidos que estão sendo torcidos, portanto, não são somente visão, audição, tato, paladar e olfato. São os sentidos pelos quais as coisas ganham, perdem e definem sentidos para nós no mundo em que estamos.

— Pedro Duarte, no Prefácio à edição brasileira

 

***

 

A pandemia – como escrevo em tom de provocação logo no prólogo – não é o acontecimento. O acontecimento, precipitado pelas medidas tomadas para conter a pandemia, é o que designo por torção dos sentidos: um revolvimento do modo como nos imaginamos próximos ou distantes de tudo o que nos rodeia. Ao formular esta hipótese, há sensivelmente um ano, partia de um sentimento partilhado. Por um lado, sentimo-nos mais distantes dos próximos: era o hiato entre nós e os lugares, as pessoas e as experiências que nos habituáramos a ter perto de nós, das nossas casas, dos nossos afectos, dos nossos passos. Por outro lado, sentimo-nos – ou imaginámo-nos – mais próximos dos distantes: era o relance daqueles outros lugares, pessoas e experiências longínquos, nos quais pensávamos uma e outra vez, com cada vez mais frequência. Não foi só o medo mas também o despontar de uma consciência e de uma sensibilidade globais que animou os primeiros tempos da pandemia. […] Assim, a pandemia não mostra apenas que o acontecimento é a revolução digital. Revela também, se não sobretudo, como é a revolução digital o acontecimento. E é-o, como gostaria de frisar, por meio do seu impacto sobre a faculdade de imaginar. É a imaginação o campo de batalha, o plano em que, reconhecida a inseparabilidade entre imaginação e tecnologia, os efeitos perniciosos e as ilusões malsãs das tecnologias de remediação digital se combatem e as margens de manobra da emancipação, do cuidado e da criatividade se conquistam.

 

SOBRE O AUTOR

João Pedro Cachopo nasceu em Lisboa em 1983. É musicólogo e filósofo. Lecciona na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde integra o Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical. É o autor de Verdade e enigma: ensaio sobre o pensamento estético de Adorno (Vendaval, 2013), que recebeu o Prémio Primeira Obra do PEN Clube Português em 2014, e coeditou Rancière and Music (Edinburgh University Press, 2020), Estética e política entre as artes (Edições 70, 2017) e Pensamento crítico contemporâneo (Edições 70, 2014).