Rússia 2018 e o espetáculo
das ruínas construtivistas

Não vá à Copa nem sente no sofá para assistir aos jogos da FIFA antes de ler o ensaio da geógrafa Rachel Pach sobre o futuro a que chegou o futurismo soviético no país-vitrine da mídia internacional

A geógrafa Rachel Pach esteve na capital russa em 2017, durante o Centenário da Revolução de Outubro, e observou o futuro a que chegou o futurismo soviético às vésperas da Copa do Mundo. O resultado é o instigante ensaio Guia Rússia para turismo do colapso, ou: o espetáculo das ruínas construtivistas na Moscou especulada, que chega aos leitores brasileiros exatamente quando o torneio da FIFA invade o país pela televisão.

Rachel Pach volta seus olhares ao construtivismo russo, sobretudo, e, como o próprio título diz, ao que restou dessa importante escola artístico-política-arquitetônica que floresceu nos primeiros anos da Revolução de 1917. Mas, antes de começar a analisar o que aconteceu com uma das mais simbólicas heranças soviéticas na paisagem de Moscou, o livro expõe algumas teses.

“O que se capta aqui é a implosão-explosão monumental de uma cidade convertida em megamercadoria imagética e imobiliária após o colapso da utopia socialista científica do urbanismo e da economia planificada”, escreve Rachel, apontando que seu Guia Rússia para turismo do colapso demonstra “o vetor de destruição-construção empreendido pelo capital fictício — além da eficiência do feitiço turístico em transformar a arquitetura em simulacro da própria história”.

Na primeira parte do livro, a autora prevê situações que os telespectadores encaram todos os dias ao ligarem seus televisores: “a cada vez que se realiza, o mundial da FIFA replica em cada nova cidade-sede sua concepção de produção e comercialização do espaço urbano, que não é só a da especulação imobiliária, já ordinária em nossa época, mas uma outra especulação, mais específica, que tem a ver com o evento extraordinário: a da cidade vendida como imagem.”

Na segunda parte de Guia Rússia para turismo do colapso, quatro notas declaram que o construtivismo não era um “estilo”, e sim uma máquina; versa sobre a “Profecia Das Kapital”, em que defende que “a derrocada da URSS não significou a vitória do Capitalismo sobre o Socialismo, nem da economia de Mercado sobre a economia de Estado, nem da burguesia sobre o proletariado, muito menos do ‘bloco democrático’ sobre o ‘totalitário'”; e reafirma o caráter revolucionário do construtivismo e a máxima de que “tudo que é sólido se desmancha no ar”, de Karl Marx.

A terceira e principal parte do Guia Rússia para turismo do colapso é a análise de campo das “ruínas construtivistas que persistem na — ou foram demolidas pela — Moscou especulada. Seguem-se capítulos sobre os edifícios das fábricas automáticas de pão nº 5 e nº 9, da Gazeta Pravda, do Conjunto Habitacional da Fábrica de Borracha, do Narkomfin Dom-Komuna, das jamais construídas Torres de Tatlin e do Estádio Dínamo, que sediaria — mas acabou não sediando — a Copa.

Guia Rússia para turismo do colapso é fartamente ilustrado com figuras, fotografias, croquis e plantas arquitetônicas de época, além de imagens produzidas pela autora em 2017 e serigrafias assinadas pela Revista Comando, coletivo paulistano formado por Frederico Herr e Guilherme Boso. O projeto gráfico é de Bianca Oliveira. Um livro como existem poucos no Brasil.

 


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Estúdio Lâmina
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